ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO:   paisagem e educação em processos colaborativos

19451955195719691971197219742012
este mundo está em guerra, embora a maior parte de nós ame a paz
início




Terra vista da Apolo 17 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Terra)
Terra vista da Apolo 17 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Terra)


"A Terra é a própria quintessência da condição humana e, ao que sabemos, sua natureza pode ser singular no universo, a única capaz de oferecer aos seres humanos um habitat no qual eles podem mover-se e respirar sem esforço ou artifícimonsanto. O mundo - artifício humano - separa a existência do homem de todo ambiente meramente animal; mas a vida, em si, permanece fora desse mundo artificial, e através da vida o homem permanece ligado a todos os outros organismos vivos. Recentemente, a ciência vem-se esforçando por tornar 'artificial' a própria vida (...)" .
Hannah ARENDT. A condição humana (1958).


paisagem                 ensino                 pesquisa                 arte
        espiral da sensibilidade e do conhecimento 

por um conhecimento livre e sensível, por um mundo livre e em paz





apresentação   o nome   o código   o objetivo   sobre o projeto   licença de uso


455768719612

bomba atomica em Hiroshima embalagem do chiclet Juicy fruit ovelha Dolly muro de Berlin antes e depois, 1999 ataque terrorista ao WTC, EUA Presidente Bush, EUA, após o ataque Pato Donald guerra porta-avião estadunidense guerra 1968 iraque kosovo orc- fantasias violentas Habitações populares sobre a Reserva da Cantareira, São Paulo gabinete do Lula, foto após a primeira posse enchentes em São Paulo, 1999 beijo




apresentação

Este site nasce de uma motivação poética, investigativa e didática, mas também inconformado com o atual estado bárbaro do que chamamos civilização, ao mesmo tempo que apaixonado pela vida e pela esperança. O site está em uma fase ainda inicial de construção. O objetivo é subsidiar elementos para discussão e compreensão da cultura contemporânea. Abro assim as anotações de pesquisa, organizando-as em processo, deixando ver as inquietações que justificam a investigação intelectual e existencial por processos e ações mais solidários, de alegria e paz.

Recuperar nossa memória e a memória social fortemente midiática e mediada pelas instituições, observar esses eventos que vão povoando nosso cotidiano em seu processo histórico, tanto pode nos mostrar a velocidade das transformações tecnológicas, quanto certas permanências que atravessam esses processos, indicando que não se trata nem de cortes abruptos nem de polarizações dicotômicas. A lembrança, a memória, a história, o sentido do devir, a noção de aqui e agora, são formas distintas, fluídas, interpenetrantes, não excludentes, de elaborar a temporalidade de nossa existência.

Nossa existência significa estar imerso nessas possibilidades (não na informação ou no dado), e recuperar em um mundo marcado pela noção de progresso, de urgência, de imediato, as diversas durações e dimensões do tempo-espaço. É explorar a significação rica e contraditória de nosso estar aqui-agora em seu processo mais imediato ou mais longínquo, um agir presente em todas essas temporalidades e espacialidades.

Não e possível pensar essa existência estando sós, senão momentaneamente, pois estamos amalgamados em nossa subjetividade, em nossas expressões, desejos, ações, de modo que o mundo é essencialmente um fato coletivo tanto quanto o é subjetivo ou individual. O mundo o é porque existimos nele, com outros que nos acompanham, nos antecederam, nos sucederão, aos quais nossa jornada está indissociavelmente ligada, como está ligada a este planeta. Sendo assim, podemos não só pensar o que ele é, e como chegou a ser, mas o que esperamos como vir a ser. Este é o entendimento de que as coisas estão se transformando, e se assim é, é plenamente factível pensarmos e atuarmos numa direção justa e solidária, e criar a nossa contribuição efetiva, livre, autêntica, para sua construção. Neste sentido, partilho um trecho que está entre os mais belos que já li:

"O meu conceito de arquitetura está na união e colaboração das artes, de modo que cada coisa esteja subordinada às outras e com essas em plena harmonia e, quando uso essa palavra, esse será o significado, não um mais restrito. É uma concepção ampla, porque abraça o inteiro ambiente da vida humana: não podemos nos subtrair da arquitetura enquanto somos parte da civilização, pois que representa o conjunto de modificações sobre a superfície terrestre, em vista das necessidades humanas. Nem podemos confiar nossos interesses a uma elite de homens preparados, pedindo a eles que investiguem, descubram e criem o ambiente destinado a nos hospedar, para depois nos admirarmos perante a obra pronta, apreendendo-a como coisa acabada. Isso cabe a nós mesmos; a cada um de nós cabe empenhar-se no controle e na proteção da orientação justa da paisagem terrestre, cada um com seu espírito e suas mãos, na parte que lhe cabe, para evitar que deixemos a nossos filhos um tesouro menor do que aquele que nos foi deixado por nossos pais" Willian Morris, conferência no London Institution, 1882.
Citado por Miranda Magnoli (1987a:01), no italiano, a partir de verbete de Leonardo Benevolo na Enciclopedia del Novecento vol I (1976) e em português em Magnoli 1994a).


É nesse sentido que pretende-se:

discutir a cultura contemporânea, os compromissos que representa, as práticas que possibilita, os valores sobre os quais se contrói, as heranças que mobiliza na trasnformação de seus mundos e de seus espaços.

contribuir para uma perspectiva crítica e transformadora do comportamento. Discute formas de lidar e representar o corpo, transformações na sociabilidade, na paisagem e na natureza sob o impacto da tecnologia e as perspectivas das ações coletivas. As questões da sensibilidade, da convivência, dos valores, não estão desvinculados do mundo em que existem. Ou seja, não são estranhos aos processos de produção da sociedade e de seu espaço. De modo que muitos temas irão se colocando e resignificando o material já pensado.


O conhecimento não é entendido como uma via livresca, por importantes que sejam os autores disponíveis, mas como pensamento crítico e comunicativo, vinculado à experiência por uma via existencial, na qual os procedimentos acadêmicos podem tornar-se significativos e não o contrário.

Estamos abertos e agradecemos correções, sugestões ou material que contribua para o espírito pretendido por este site.








o nome

O nome do projeto foi elaborado a partir da construção de um conjunto de significados representados através de um código de barras (UPC/EAN: Universal Product Code-UPC; European Article Numbering System-EAN). Está formado por anos emblemáticos para uma série de eventos importantes para as discussões que se pretende encaminhar. Não se quer dizer que estes eventos mencionados, e não outros, sejam mais representativos para este projeto, são apenas uma indicação.

A escolha de um ambiente virtual e de um código de barras para organizar esta investigação, coloca em evidência a intenção de se discutir os impactos das tecnologias e do consumo nos valores que se vão construindo, ao se construir este "tempo". Trata-se da intenção de estabelecer uma interface comunicativa em seu processo de construção, ao invés de se apresentar como produto. Nisso se propõe um problema de linguagem, tanto no sentido de organizar o pensamento-percurso-narrativa do pesquisador, quanto de expor em alguma medida esse processo a outras participações e possibilidades.

A opção pela terminação .bio, coloca como discussão pretendida o domínio da vida e da existência (e, portanto, da natureza). Indica também que se reconhece em escalas inteiramente novas e imprevisíveis, problemáticas. Com isso se pretende sugerir tanto sua excepcionalidade, quanto o jogo de poder, desejo e ambição que se estabelece, na base de um drama ético e social.

Por outro lado, confia-se que os visitantes do projeto, desvendando para além desse código proposto um conjunto complexo de relações, nexos, contradições aninhadas em nossas práticas, saberão discernir que as questões abrangidas pelo projeto não podem ser abarcadas por esse código. Assim, a teia de significados tecida a partir do código sugerido lhe confere sentido crítico. Sua significação está em sua superação enquanto prática e valor. Daí uma série de recursos da memória, da poética, da experiência direta ou da crítica, que só podem ser indicadas por essa operação a partir de sua negativa.







o código de barras da cultura

Os eventos destacados para compor o código, e que devem expressar vários dos aspetos que se deseja indagar, estão listados abaixo. Os eventos da história nacional brasileira não foram incluídos na constituição desse código, em um primeiro momento... Aos poucos, será disponibilizado um arrazoado expandido sobre esses eventos que serão acessíveis gradualmente através dos anos respectivos. Uma teia de links e caminhos tende a se estabelecer pelo site, possibilitando através dessas conexões percursos diversos.

1945: destruição por bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki

1955: aos dez anos da destruição de Hiroshima e Nagasaki foi criado o parque temático Disneylândia na Califórnia por Walt Disney. Ray Kroc fundou a McDonald's Systems, Inc..

1957: publicação de On The Road, escrito em 1951 por Jack Kerouac. Lançamento do primeiro satélite humano: o Sputnik, pela URSS.

1968: Maio de 68. Primavera de Praga e invasão soviética.

1969: Festival de Música e Artes de Woodstock. Easy Rider. Um ser humano caminha na superfície lunar (missão Apolo 11).

1971: WEF-World Economic Fórum, fundado por Klaus M. Schwab, que se reúne anualmente em Davos, Suíça.

1972: Declaração de Estocolmo, aprovada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em paralelo à crise do Petróleo.

1974: Primeira compra de um produto com código de barras.

1977: movimentos por redemocratização no Brasil

1989: Queda do Muro de Berlim. O físico inglês Tim Berners-Lee cria a World Wide Web.

1996: Clonagem de Dolly

2001: ataque às torres gêmeas de Nova Iorque e início de uma nova onda de ações militares abertas na Ásia. Juntamente com a queda do muro de berlim, esses eventos representam as faces do que chamamos de globalização.

2008: início deste site

2012: comemoraremos os 40 anos das conferências globais sobre meio ambiente.








o objetivo

Discute as heranças dos movimentos contestatórios, artísticos de vanguarda e contra-culturais, em suas relações com a paisagem, a natureza e o ambiente e com a mudança de comportamentos, procurando estabelecer uma perspectiva crítica dos processos artísticos e coletivos contestatórios na sociedade de contemporânea. Propõe trabalhar um material tematicamente recortado em movimentos culturais a partir do marco do final da Segunda guerra Mundial,


1. analisar processos criativos e a relação arte-vida cotidiana a partir da experiência vivenciada até sua constituição como produto,

2. adotar a experiência e a experimentação como base para a investigação crítica das percepções e valores pré-concebidos em relação à paisagem e às sensibilidades que assim se mobilizam,

3. confrontar o ambiente acadêmico com formas de valoração e organização externas a esse ambiente e às suas lógicas de organização e perpetuação, esperando gerar uma tensão crítica que contribua para discutir o papel da Universidade, do conhecimento narrativo e da sensibilidade artística,

4. disponibilizar um material de apoio didático, que contribua para um resgate da memória e compreensão das transformações recentes em nossa sociedade, sob imenso impacto da tecnologia, do consumismo e da urgência,

5. estabelecer processos experimentais de vivência, sensibilização e crítica a partir do estudo de movimentos culturais e seus processos criativos.







sobre o projeto

A fase atual destas indagações inicia-se em 2007 e 2008, com a criação de uma nova disciplina no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Área de Concetração Paisagem e Ambiente (AUP5883 Paisagens Vivenciadas - Da Contra-Cultura a Contemporaneidade), com a criação do ambiente virtual code4557687196.bio.br e com a publicação em 2007 do livro Confissões às Sombras do Entardecer e Outros Escritos e mais recentemente com os trabalhos Paisagens Vivenciadas e com o livro publicado em 2011, As Paredes, A Paisagem, As Formas da Morte, As Possibilidades da Vida. Mas as primeiras aproximações com o tema remontam ao tempo de estudante, na década de 70, decorrentes da experiência cotidiana. Conduziram depois a uma série de intervenções e ações e experiências com teatro e artes. As experimentações mais recentes foram realizadas no âmbito do Projeto Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento (ou Espiral dos Sentidos), que tinha como um de seus objetivos o desdobrabento de princípios e experimentações por ambientes múltiplos.

A Espiral deu uma amplitude mais complexa às experimentações com a inernet, cujas primeiras aventuras em organização de sites e sistemas de comunicação virtual com alunos que remontam a 1998. Em 2000 criei o domínio ambiente.arq.br e em 2005 a revista digital independente linguagens.ato.br (a partir de 2008 sob responsabilidade de Aion Poéticas da Paisagem e Ações Socioambientais), a par de uma série de experimentações de teor pessoal e subjetivo bastante intensas. Uma nova condição no uso desses recursos se colocou nesse tempo, com o surgimento de várias propostas de interatividade cuja tecnologia não domino. Essas experimentações levaram a conhecer grupos de artistas e ativistas organizados em coletivos, com uma afinidade de questões e com uma troca rica que estabelecemos. A Espiral desdobrou-se, finalmente, em um coletivo de pesquisa e ações culturais e ambientais, denominado Aion. No momento passo a experimentar as possibilidades e implicações culturais mobilizadas pelos softwares livres, levando-me à utilização do sitema operacional Ubuntu, licenças livres, OpenOffice e outras ferramentas, levando a desenvolver os trabalhos a partir de máquinas que rodam com softwares não proprietários, a exemplo deste site (que ainda utiliza flsh em alguns arquivos) e do site do aion, já convertidos a este formato.

Antes de mais nada, minhas experimentações com a rede são experimentações de linguagem em um sentido amplo. A web é um poderoso instrumento comunicativo, cada vez mais integrado na vida cotidiana, de modo que cerca de 2001 criei o experimento Jardim de Segredos, na forma de um diário poético realizado com poesias e desenhos até cerca de 2005. A partir de 2005 oadaptei a experiências com o orkut, chegando em 2008 a uma nova proposta expressa em um domínio jardins.bio.br. Deve-se destacar também a experiência entre 2000 e 2003 do ambiente brasil, hospedado so site ambiente.arq.br (onde ainda pode ser consultado), e da revista Brasil lá criada, apenas com material produzido por mim e que tinha em embrião muitos dos elementos que serão aqui explorados em maior profundidade. Cumpre a um site tanto a possibilidade de divulgação e informação de qualquer tipo, seja profissional e cultural (no meu caso), quanto a possibilidade de recurso de apoio didático, com o que tenho trabalhado muito.

Mas é também, para mim, espaço para experimentação artística, motivação bastante forte na minha relação com esse recurso e com outras esferas do cotidiano, sobretudo como possibilitam ao processo de conhecer em experiência, em tensão entre esferas da subjetividade e do público. Em certo sentido, cada website é uma longa e instável obra artística, talvez minha maior experimentação nessa direção nos últimos anos. O próprio website é uma mensagem artística. Não só isso, mas esses 4 domínios, vistos em conjunto, hoje são parte da Espiral da Sensibilidade, e seus significados são necessariamente trabalhados agora na articulação da idéia da Espiral. Transcendem, embriagam e embriagam-se em aspectos da vida acadêmica, da subjetividade e dos valores que me motivam a construir buscas e um conhecimentofundado mais na experimentação do que na organização teórica a priori.








licença de uso

Todo o material do site é disponibilizado sob uma licença livre nos seguintes termos:

1. Você é livre para copiar e distribuir o conteúdo deste site, desde que citando a fonte e disponibilizando esse conteúdo a terceiros de forma igualmente livre e sob esta mesma condição.
2. Esta licença não se aplica a conteúdos de terceiros, em especial imagens e sons, aqui reproduzidos em função de seu interesse estritamente acadêmico.
3. Em nenhum sentido, essa licença representa cessão de direitos autorais.

Esse material está em fase inicial de organização e é formado por anotações de pesquisa, podendo conter imprecisões e equívocos, ou omissões que esperamos superar. Agradecemos eventuais correções que nos possa mostrar ou contribuições que queira dar na complementação do material. Sempre que possível, optamos por anexar material obtido na Wikipedia. Se desejar colaborar com algum material de sua autoria, convergente com a proposta do site, sinta-se à vontade para fazê-lo.

A exposição cronológica das informações é apenas um dos modos aqui adotado para organizá-las, e não se confunde com a história. Outras estratégias agregam-se, como a mensagem visual, ensaios temáticos, expressões de subjetividade, dados etc.. Aliás, essas informações não devem ser tomadas como fatos ou acontecimentos em si mesmas. Necessitam ser qualificadas, inseridas em contextos e ter os processos reconstituídos. São informações que no seu conjunto, aos poucos, irão construindo discursos que este site suporta, mas cujo campo de realização, dado seu caráter de apoio didático, é outro, é presencial, é crítico, é de indagação.

Este site é mantido e editado por Euler Sandeville Jr., como atividade de extensão do projeto 455768719612 que deu origem à disciplina Paisagens Vivenciadas: Cultura e Contracultura e do meu doutroado As Sombras da Floresta. Vegetação, Paisagem e Cultura no Brasil (199) que deu origem à disciplina Representações da Natureza e da Cidade o Brasil. O projeto é desenvolvido no âmbito da Universidade de São Paulo, mas conta com inúmeros procedimentos e interfaces vitais que a ultrapassam. Acompanhe por aqui a evolução desse material.






aprender com a cidade, aprender na cidade

ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO
Lab Cidade - Espaço Público e Direito à Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
Núcleo de Estudos da Paisagem: Paisagem, Cultura e Participação Social
 
Rua do Lago 876 Cidade Universitária, Butantã, São Paulo, SP, 05508-080, (055xx11) 3091-4577
Brasil

docente responsável: Euler Sandeville Jr. (FAU USP/ PROCAM USP)

2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
1993
1992
1991
1990
1989
1988
1987
1986
1985
1984
1983
1982
1981
1980
1979
1978
1977
1976
1975
1974
1973
1972
1971
1970
1969
1968
1967
1966
1965
1964
1963
1962
1961
1960
1959
1958
1957
1956
1955
1954
1953
1952
1951
1950
1949
1948
1947
1946
1945
fim do mundo