ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO:   paisagem e educação em processos colaborativos

ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO
PAISAGENS VIVENCIADAS
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paisagem                 ensino                 pesquisa                 arte
        espiral da sensibilidade e do conhecimento 

por um conhecimento livre e sensível, por um mundo livre e em paz



O Núcleo de Estudos da Paisagem (NEP) foi constituído entre 2002 e 2003 e hoje é um dos dois grupos de pesquisa estruturadores do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LABCIDADE). O objetivo é contribuir para uma Discussão da Cultura Contemporânea na Valoração e Transformação das Paisagens através de formação de pesquisadores1, estudos, ações experimentais e educativas integradas. Pretendemos aprender em ação com outros parceiros. Para tanto, procuramos estudar os modos de produção e apropriação do espaço, através de práticas colaborativas, participantes e de gestão partilhada, bem como de estudos da história da cultura, da estrutura urbana e das realidades locais, e dos sistemas ambientais. Nossos fundamentos foram a proposição da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento e o entendimento da paisagem como experiências partilhadas.

Nosso trabalho argumenta sobre formas de aprender na e com a cidade, vivenciando coletiva e colaborativamente suas possibilidades, esperanças, dramas, contradições. Essa proposição estabelece um "objeto de pesquisa" relacional em muitos sentidos. Agrega a possibilidade poética a par da possibilidade de pensar a paisagem em suas estruturas territoriais, entrelaça sua dinâmica histórica com os modos de sua apropriação e transformação, exigindo a cooperação interdisciplinar, convidando à reflexão sobre a dimensão artística e sensível que mobiliza, tanto quanto da dimensão social, técnica e política.



As paisagens que nos ocupam são entendidas como um campo de tensões e contradições, evidenciando o drama humano que abrigam em sua dimensão histórica, ecológica e cultural, e as implicações sociais que se abrem com esses estudos. Trata-se, a partir da conceituação e prática educativa na cidade, repensar o ensino, formação e atuação para transformação partilhada e coletiva da paisagem e da cidade, e de pensar com os habitantes da cidade os meios de definir e construir o ambiente que se deseja, não como um exercício de futuro, mas como um exercício no presente. Fomentamos uma postura de produção de conhecimento livre e solidário, em construção colaborativa com parceiros externos à Universidade, ativos portanto no processo de construção desse conhecimento.
  • a paisagem é entendida como experiência partilhada social, cultural e existencialmente, e portanto como uma condição de ser no mundo, articulando esferas da subjetividade, do simbólico, da sociabilidade no cotidiano, e dos tempos na qual a paisagem é herança e um patrimônio coletivo que nos transcende, mas também futuro que vamos definindo com nossas ações, sendo todos coautores de seu destino.
  • a cidade e o ambiente são pensados como processos de educação ativa e construção de conhecimentos e práticas coletivas, que abrigam as possibilidades de realização e sonho do habitar o mundo (Heidegger XXXX, Sandeville Jr. 2010), e mobilizam conhecimentos que devem ser críticos sobre a natureza e sua transformação para criar as estruturas vitais ao nosso modo de vida e as possibilidades de fruição decorrentes dessas interfaces.
  • a memória, a imaginação e a história não são apenas registro ou recordação de fatos como verdades, evasão ilusória ou erudição; são eletivas e intencionais, que se formulam e acessam em proposições constituintes e ativas no mundo em transformação, e portanto, criativas do presente, modos de se pensar e valorar em percurso diante de contextos eletivos, cujo desenvolvimento é essencial à percepção, à compreensão e à transformação de nossas práticas sociais.
  • a arte (poéticas da paisagem e da intimidade) é vivida como experiência e descoberta sensível e sintética, que mobiliza formas de percepção e inteligência que podem estabelecer brechas criativas no concreto do mundo vivido e imaginado, e nas possibilidades expressivas de transformação de sua matéria e da ideação por elas mobilizadas. Frequentemente reconhece e explora zonas de resistência, tensão e ruptura, densidade subjetiva, experiências liminares, afetividade e celebração, nas quais a reflexão é incorporada existencial e organicamente aos processos, atitudes e objetos como significado poético existencial, linguagem e visão de mundo.
  • a alegria, a satisfação, o amor, a amizade, o sonho, a confiança mútua, são (ao contrário do que parece propor a academia) constituintes essenciais de uma busca cognitiva relevante que é também estética e ética, que só pode realizar-se concretamente na tensão das próprias contradições e potências como um longo processo de aprendizagem ativa e afetiva diante de desafios e riscos reais nos quais o posicionamento é exigido como prática, na qual se aprende de modo não linear o comprometimento com valores e princípios solidários, colaborativos, coletivos e de uma chamada cultura de paz. A celebração e o crescimento ético devem assim ser uma constante em nosso trabalho e marcar cada uma de suas etapas;
  • a aprendizagem é entendida como um processo vital, que podemos dotar de intencionalidade aberta e criativa nas relações que são a construção dos sujeitos com outros sujeitos no mundo (Freire XXXX). Nesse sentido, a aprendizagem também precisa ser qualificada, é um processo capaz de ser dotado de decisão (Dewey 2010) que pode ampliar ou restringir sua potência educativa. Como consequência, desenha-se uma propositiva social do papel da Universidade com parceiros externos nos processos de formação contínua do conhecimento e das práticas.

A Espiral da Sensibilidade, Conhecimento é a proposta experimental de ambientes (culturais, espaciais e virtuais) e vivências individuais e coletivas com intenção de criação, reelaboração de percepções e representações, pesquisa e debate da cultura, ação socioambiental, buscando integração com outras propostas convergentes e o desdobramento por contágio imprevisível. É a origem de errâncias e vivências urbanas e em ambientes naturais, processos de criação artística e de expressão espontânea, atelies de criação, grupos de trabalho e estudo, projetos de pesquisa da cultura e da paisagem, processos de ensino, capacitação e formação, experiências de transformação de processos culturais e ambientais de construção social do ambiente, experiências da intensidade pessoal nos limites da consciência e da paixão.

Tem como base a preocupação e o respeito à sensibilidade do ser humano e seu desenvolvimento crí­tico e criativo. Trata-se de um ambiente que quer ser um convite à ampliação da sensibilidade, do entendimento e da ação criativa e crí­tica perante o mundo atual. Tem como foco central a atuação através de processos artísticos, culturais e educativos que visam estabelecer uma abordagem crítica da cultura contemporânea, bem como ações voltadas para o desenvolvimento humano e ambiental, atuando a partir de princípios éticos e cooperativos de convivência social e de transformação do ambiente comum.

Em nossas atividades esperamos contribuir para praticar e difundir princípios e formas de ação fundadas na Autogestão, Solidariedade, Apartidarismo, Promoção da diversidade, Paz, Criatividade, Alegria, e recusamos qualquer modelo de como essas coisas devam se dar.

Euler Sandeville Jr.






aprender com a cidade, aprender na cidade

ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO
Lab Cidade - Espaço Público e Direito à Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
Núcleo de Estudos da Paisagem: Paisagem, Cultura e Participação Social
 
Rua do Lago 876 Cidade Universitária, Butantã, São Paulo, SP, 05508-080, (055xx11) 3091-4577
Brasil

docente responsável: Euler Sandeville Jr. (FAU USP/ PROCAM USP)