ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO:   paisagem e educação em processos colaborativos
REPRESENTAÇÕES DA NATUREZA E DA CIDADE
ESTUDOS DA HISTÓRIA E DA CULTURA
retornar ao índice desta seção







paisagem                 ensino                 pesquisa                 arte
        espiral da sensibilidade e do conhecimento 

por um conhecimento livre e sensível, por um mundo livre e em paz


ARTE, NATUREZA E (A INVENÇÃO DA) PAISAGEM

pesquisa do Prof. Dr. Euler Sandeville Jr.

 

Essa linha de estudos que desenvolvo encontra um antecedente em minha atuação desde 1986 como docente de História da Arquitetura e depois do Paisagismo e da Paisagem, e ampara-se, de certa forma, em minha atividade anterior na área de artes e de arte-educação. A pesquisa dá continuidade a estudos que tiveram origem no mestrado (A Herança da Paisagem, 1985-1993) e no doutorado (As Sombras da Floresta. Vegetação, Paisagem e Cultura no Brasil, 1994-1999). Assim, embora ela esteja vinculada ao grupo Paisagem, Cidade, História, articula-se com o projeto Paisagens Vivenciadas, incluindo procedimentos experimentais e existenciais no percurso indagativo docente.

É um estudo exploratório das heranças, das sensibilidades e dos ideários na apreciação e transformação das paisagens e na constituição de um campo de atuação profissional designado como paisagismo ou arquitetura da paisagem. Adota-se uma perspectiva de longa duração a partir de recortes temáticos que contribuam para colocar em discussão as categorias que organizam as narrativas. Indaga-se sobre a construção histórica da noção moderna de paisagem e natureza e da noção contemporânea de natureza e ambiente, em uma perspectiva crítica dos nexos culturais que se estabelecem ou se omitem no processo de sua produção. A paisagem, as áreas naturais e o espaço projetado (em especial os jardins), são entendidos como elaboração cultural, que mobilizam representações, sensibilidades e conhecimentos complexos em sua constituição, construção e transformação, e que não podem ser pensados de modo autônomo ao ambiente em que existem. Essa produção é confrontada com a produção social da paisagem, para estabelecer uma perspectiva crítica do paisagismo.

Acesse no menu lateral esquerdo os estudos temáticos desenvolvidos nesta linha de investigações.

Contribuiu para a fundação em 2003 da Linha de Pesquisa Paisagem e Ambiente: Base Documental e Sistemas Interpretativos do Curso de Pós-Graduação da FAU, absorvida na reestruturação de 2007 na Linha Paisagem e Sociedade. O questionamento de método que implica convergiu na criação de uma rede de articulação de pesquisas (ENEPEA 2004, 2006), que embora não tenha prosperado na forma esperada estabeleceu um maior contato entre núcleos de pesquisa e contribuiu depois para a criação do Grupo de pesquisa Paisagem, Cidade e História (FFLCH USP/FAU USP; CNPQ, 2004) com os professores Hugo Segawa e Ana Paula Megiani, que reúne pesquisadores do AUP, AUH da FAU, da FFLCH, Museu Paulista e EESC. Desde 2003 esse grupo de pesquisa desdobra sistematicamente os estudos em disciplinas oferecidas no programa e Pós-Graduação da FAU, a entre 2006 e 2008 no Programa de Pós-Graduação da FFLCH, tendo gerado já vários artigos e alguns capítulos de livros e atividades de extensão. Algumas dessas publicações estão disponíveis na seção Banco de Dados da Espiral. Em 2009 realizamos nesse Grupo de Pesquisa a curadoria da exposição Paisagens Colecionadas – Acervo Mário de Andrade no Instituto de estudos Brasileiros -IEB USP, curadoria dos Professores Euler Sandeville, Hugo Segawa, Ana Paula Megiani, entre outras atividades.














REPRESENTAÇÕES DA NATUREZA E DA CIDADE

Prof. Dr. Euler Sandeville Jr. (FAU USP)
início: 2009 (em continuidade a pesquisas anteriores a partir do Mestrado, 1993, e Doutorado, 1999)

 

 

OBJETIVOS:

Estudar representações da natureza e do espaço urbano discutindo a paisagem em uma perspectiva histórica, valendo-se de registros diversos como relatos de viajantes, obras artísticas, projetos e outras fontes de pesquisa, contribuindo para o debate cultural na produção e apropriação das paisagens, pensando-as a partir das desigualdades e processos que as constroem.

 

 

A PROPOSTA

A pesquisa analisa numa perspectiva teórica de fundo histórico, estético e cultural registros iconográficos, verbais e textuais, em estudos acadêmicos e técnicos, criações artísticas eruditas e populares e eventos diversos, discutindo as identidades e alteridades locais e regionais no Brasil e problematizando a partir de casos de discussão as representações construídas em contextos histórico-culturais internacionais. Propõe a um debate da cultura e da apropriação da paisagem, discutindo representações conflitantes sobre realidades brasileiras e suas contradições.

Os registros de viagens e obras de arte têm despertado a atenção de estudiosos há muito tempo, sobretudo em dois de seus aspectos - enquanto testemunho documental de períodos históricos, e enquanto representações da realidade e, portanto, circunscritos em padrões culturais, fantasias, regras artísticas ou sociais. Ou seja, devem ser entendidos não como verdades, mas como representações. Os estudos dos registros de viajantes pelo Brasil, desde o período colonial e sobretudo no século 19, são já extensos. O mesmo não se pode dizer dos viajantes que cruzaram o país ou suas regiões no século passado. Embora tais relatos existam, são pouco avaliados, justificando um foco mais atento sobre essa produção. Pode-se considerar ainda uma série de registros de teor comercial ou artístico em várias mídias, bem como na cultura popular, como base documental válida para os estudos.

A questão do entendimento das fontes deve assim alargar-se, incluindo depoimentos e outras formas de pesquisa que se abrem à participação dos usuários para a construção tanto dos objetos de estudo, quanto dos sistemas interpretativos. Há ainda uma extensa e significativa literatura de caráter sociológico ou artístico revendo e consolidando visões sobre a nacionalidade e o presente a partir de incursões na história. Viagens que não implicam no deslocamento físico, mas que constroem também as bases da percepção das realidades nacionais, regionais e locais. Revelam estes documentos por vezes visões dos estrangeiros e olhares de brasileiros sobre os brasileiros, expressando as relações decorrentes da condição de colonização, e portanto, também o modo como esses viajantes e estudiosos se representam.

Ocorre ainda questionar o impacto dos meios mecânicos e eletrônicos de registro e difusão sobre as percepções atuais dos visitantes e residentes sobre as paisagens. A questão da base documental é portanto colocada em perspectiva abrangente e inclusiva, consoante com avanços das ciências desde o século passado.

É no contexto desse entendimento que se colocam como debate metodológico e de categorias de análise as possibilidades de interpretação de paisagens, de suas representações e de projetos para sua transformação. Pergunta-se que representações da realidade mobilizamos, o quanto seus registros e roteiros limitam ou condicionam antecipadamente a percepção e vivência dos atores sociais em questão. Pergunta-se também como se recoloca a problemática da identidade na sociedade globalizada e qual o modo como o registro e os meios tecnológicos podem contribuir ou não para uma experiência do lugar. Coloca-se em pauta qual visão estamos formando atualmente sobre nossas realidades; discutindo as representações da paisagem e da cultura mobilizadas nessas sensibilidades e registros.













REPRESENTAÇÕES DA NATUREZA E DO AMOR ENTRE OS SÉCULOS 13 E 20 NA LITERATURA E NAS ARTES

Euler Sandeville Jr.
2003-2009 e seguintes...

É um estudo do amor nas artes, na literatura e outros documentos, entre os séculos 13 e 20, com ênfase entre as relações entre arte, natureza e amor em torno do século 15 e nas relações entre amor, contracultura e política no século 20 e atual. Com base em bibliografia de referência que possibilite uma visão histórica dos documentos selecionados, procura-se entender como se construiu a noção moderna de amor, que heranças abriga e encaminha, suas nuances, ambigüidades e amplitude, que relações mantém com a idéia de natureza e de beleza. Considerando-se o amor e as paixões como uma das dimensões primordiais da experiência no mundo, procura-se reconhecer sua dimensão cultural, na medida em que se trata de um mundo socialmente construído, vivenciado e desejado, e apenas assim passível de ser paisagem em toda sua possibilidade.

Espera-se, com isso, estabelecer uma base crítica que permita a discussão futura da noção de amor contemporânea e dos atuais impactos da tecnologia, no âmbito de uma outra fente de estudos (Paisagens Vivenciadas da Contracultura à Contemporaneidade). O estudo do amor e da natureza em diferentes momentos e contextos historicos nos ajuda a colocar a paisagem na dimensão de um drama interior, um forte desejo e apreensão de mundo, de inserção, conhecimento, transgressão e transcendência, seja quando é inquietante, ou conduz a alma aos meandros de seus instintos, seja quando protagoniza a fantasia de uma harmonia, seja quando possibilita a consciência das ações no mundo. Contribui para confrontar a idéia de uma história linear e ordenada como uma fantasia, e os conceitos de racionalidade utilizados para inventar seus períodos são confrontados pela loucura, pelo desejo, pela ambição, pela afetividade, esvaziando as pretensões de hegemonia ou unicidade da razão (ou outras) na representação (narrativa) da história.

Em todos esses casos, desejo, estética e ética sugerem construções complexas, por vezes tensas e contraditórias, de mundo. Procura-se verificar, a partir daí, em que medida é possível identificar relações diretas (ou indiretas, através de intersecções culturais nos casos estudados), entre o amor e os jardins projetados. Em especial enquanto representações da natureza e da urbanidade, entre outras dimensões simbólicas, como a do jardim de delícias ou da academia e seus desdobramentos como construção artística para a vida ao ar livre, em seus enredos mais ou menos transgressores no decorrer do período estudado.












PAISAGENS VIVENCIADAS: CONTRACULTURA E SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
(19451955195719691971197219742012)
Euler Sandeville Junior
2007-2009 e seguintes...

Discute as heranças dos movimentos contestatórios, artísticos de vanguarda e contra-culturais, em suas relações com a paisagem, a natureza e o ambiente e com a mudança de comportamentos, procurando estabelecer uma perspectiva crítica dos processos artísticos e coletivos contestatórios na sociedade de contemporânea. Propõe trabalhar um material tematicamente recortado em movimentos culturais a partir do marco do final da Segunda guerra Mundial,


1.) analisando seus produtos e, na medida do possível, processos criativos e a relação arte-vida cotidiana a partir da experiência vivenciada até sua constituição como produto,

(2.) como base para a investigação crítica das percepções e valores pré-concebidos em relação à paisagem e às sensibilidades que assim se mobilizam,

(3.) confrontando o ambiente acadêmico com formas de valoração e organização externas a esse ambiente, esperando gerar uma tensão crítica que contribua para discutir o papel da Universidade, do conhecimento narrativo próprio do discurso acadêmico e de processos criativos decorrentes da sensibilidade artística,

(4.) estabelecendo processos experimentais de vivência, sensibilização e crítica a partir do estudo de movimentos culturais e seus processos criativos A PARTIR DOS CANAIS POSSIBILITADOS PELA UNIVERSIDADE E POR FORMAS DE ASSOCIAÇÃO AUTÔNOMAS EM RELAÇÃO A ELA,

(5.) e PENSAR sobre os processos criativos, motivacionais em diversas formas e processos que almejam vias alternativas e autônomas de gestão coletiva, produção solidária, e convivência.


A herança do período posterior à Segunda Guerra Mundial, extremamente singular na história humana, não está devidamente avaliada, como também ainda é difícil a discussão do que representem hoje e que novos arranjos se estabelecem. Os marcos emblemáticos da cultura contemporânea, e da contra-cultura, expressos em movimentos artísticos e coletivos como os beats, situacionistas, fluxus, movimento hippie, movimentos contra guerras e outros tantos mais recentes como os Fóruns Sociais, coletivos de arte e formas de ativismo, procuraram ou procuram se opor a processos extremamente violentos da sociedade globalizada, com impacto nas formas de comportamento, mobilidade, sexualidade, defesa do ambiente, fruição da paisagem, apropriações simbólicas da natureza e representações do urbano.

A pesquisa deu origem à disciplina Paisagens Vivenciadas. Da Contracultura à Cultura Contemporânea no programa de pós-graduação da FAU USP e ao banco de dados da espiral, além de uma série de eventos artísticos e culturais com outros parceiros.
















aprender com a cidade, aprender na cidade

ESPIRAL DA SENSIBILIDADE E DO CONHECIMENTO
Lab Cidade - Espaço Público e Direito à Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
Núcleo de Estudos da Paisagem: Paisagem, Cultura e Participação Social
 
Rua do Lago 876 Cidade Universitária, Butantã, São Paulo, SP, 05508-080, (055xx11) 3091-4577
Brasil

docente responsável: Euler Sandeville Jr. (FAU USP/ PROCAM USP)